Copernico um dia disse que, ao contrario do que se pensava na altura, o sol nao girava a volta da terra mas sim o contrario. O genio, na altura incompreendido, morreu sem que as suas ideias fossem compreendidas ate a chegada de Galileu que assume estas ideias. Aquilo que se esta a acontecer actualmente no universo pimba com Nel Monteiro e tao semelhante ao que aconteceu no sec. 16 com a percepçao do mundo.

Muita coisa ja se foi dita sobre o grande monstro que se transformou, com arte e engenho, num dos mais importantes mitos da musica pimba. Contudo, aquando do lançamento de uma nova cassete (e como e bom dizer a palavra cassete em vez da palavra disco), o mito revela um lado obscuro, um profundo desabafo de preocupaçao e urgencia sobre os mais profundos problemas do nosso pais revelando das duas uma: ou um olhar atento a realidade do portugal profundo substituindo o magnifico trocadilho maroto por uma mensagem de urgencia, com o objectivo de alertar as massas para os problemas do pais; ou o enlouquecimento do artista que, no momento em que escrevera isto, tinha esgotado todos os temas possiveis para uma nova cançao.
Porque, depois da predominancia do pimba de cariz maroto, surge algo totalmente novo, inovador que so pode ser equiparavel aquilo que aconteceu no momento em que surge o Punk. Sim, tou a comparar Nel Monteiro aos Sex Pistols. Porque surge o chamado "pimba de intervençao", pimba com mensagem politica, pimba com critica social, pimba a alertar os problemas sociais.
Este "Puta, Vida, Merda, Cagalhoes" é algo que aproxima de copernico na raiz de todas as grandes revoluçoes, mas que o aproxima mais da rotura operada pelos Sex Pistols quando, na musica "Anarchy in the UK", Sid Vicious canta "I am an antichrist", Nel Monteiro faz algo de semelhante quando canta "Desculpem a linguagem, mas nao tenho outra melhor".
Eis aqui duas fantasticas versoes:
Uma profundamente romantica
E a dançavel que vai animar todos os arraiais pelo portugal a fora.












